Projeto monitora o desmatamento ilegal

O Projeto Olho Verde, lançado na última sexta-feira (23), é a principal ferramenta da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para que o estado do Rio de Janeiro alcance a meta do desmatamento ilegal zero na Mata Atlântica até 2018. O anúncio foi feito durante o III Encontro de Secretários de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atlântica, na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro do Rio. 

Em uma iniciativa inédita, os órgãos firmaram uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ/ Coppetec), para o monitoramento sistemático da cobertura florestal de uma área de sete mil quilômetros quadrados, onde se localizam os principais remanescentes florestais do Estado. Imagens de satélite permitem identificar com precisão as áreas onde há desmatamento para que depois as equipes possam realizar a fiscalização e impedir o crime ambiental.

“O programa tem um potencial enorme. É possível descobrir a supressão de uma única árvore. Quando observamos áreas com alterações, enviamos aos técnicos para validação. Depois de validadas, as informações são encaminhadas para as unidades regionais próximas. Por meio do sistema, elas recebem os alertas, que são as imagens do satélite, para as suas áreas e vão fiscalizar. Após o retorno das operações, os dados são sistematizados para gerar um perfil do desmatamento distribuído pelo estado”, afirmou o subsecretário   de Estado do Ambiente, Rafael Ferreira.

Em 2016, foram selecionadas 326 imagens de alertas para vistoria, dos quais 196 casos indicaram supressão de vegetação e/ou alguma intervenção irregular local, em área equivalente a 71 hectares. Esse trabalho permitiu direcionar, de forma mais ágil e precisa as fiscalizações com o objetivo de reprimir o desmatamento ilegal.

No município de Paraty, no Sul Fluminense, o Projeto Olho no Verde possibilitou que equipes flagrassem um grupo praticando a atividade de desmatamento. Foi possível identificar perda de cobertura florestal de uma área de seis mil metros quadrados. A fiscalização constatou que as árvores derrubadas seriam vendidas ilegalmente. Os responsáveis foram presos em flagrante.

Em uma ilha de Angra dos Reis, também no Sul Fluminense, só foi possível identificar uma área de desmatamento porque a imagem foi feita via satélite. Se  fosse por terra, as árvores não deixariam os fiscais perceberem a supressão da mata. Os responsáveis foram autuados.

Ainda este ano, a Secretaria de Estado do Ambiente e o Instituto Estadual do Ambiente pretendem buscar parcerias com os municípios para que o Projeto Olho no Verde possa ampliar seu alcance. Desta forma, a equipe técnica acredita que seja possível fiscalizar todos os alertas que forem recebidos pelo satélite. Também será lançada uma campanha de comunicação nas localidades onde foram registrados maiores números de desmatamento em 2016, de acordo com o ranking que foi divulgado nesta sexta-feira (23/06), que apontou o Rio de Janeiro como a cidade que mais desmatou no Estado. Já Itatiaia foi a que menos desmatou.

Encontro dos secretários dos Estados da Mata Atlântica

O lançamento do Projeto Olho no Verde foi feito durante o III Encontro dos secretários dos Estados da Mata Atlântica. Gestores da área ambiental de 17 Estados se reuniram nesta sexta-feira (23/06), quando apresentaram as iniciativas realizadas, ao longo do último ano, para ampliar a cobertura de Mata Atlântica e perseguir o desmatamento ilegal  zero deste ecossistema até 2018. As metas constam no documento “Nova História para a Mata Atlântica”, firmado entre os secretários e a Fundação SOS Mata Atlântica no I Encontro realizado em 2015.

Para o presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Pedro Luiz Passos, são encontros assim que vão ajudar na recuperação da Mata Atlântica no país. “Fomos questionados publicamente e internacionalmente sobre a preservação. São encontros como esse, de organização da sociedade e do meio público que farão a  gente conseguir transformar o quadro que hoje não é motivo de orgulho”, declarou.

desmatamento

Durante a reunião, foi divulgado que, entre 2015 e 2106, o desmatamento na Mata Atlântica cresceu quase 60% em relação ao período anterior. Para Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, o número é assustador. “Havia um ritmo de queda do desmatamento. Esse dado é um alerta, um retrocesso. Atualmente, temos apenas 12.4% de Mata Atlântica no país. Eu acho que devemos abrir o olho, e pensar de que forma podemos fazer para que esse desmatamento ilegal seja estancado e ao mesmo tempo contribuir para uma agenda de proteção do que resta de mata atlântica no Brasil”, declarou.

O Estado do Rio Grande do Sul está fazendo a sua parte. Diretor Técnico da Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul, Gabriel Ritter, explicou como o governo trabalha na preservação da Mata Atlântica. “O nosso órgão ambiental autoriza a supressão e tem um banco de projetos para a recuperação como compensação, usamos o que acharmos mais adequado para a situação. A fiscalização é feita através de um sistema de proteção ambiental, no qual todos os municípios estão habilitados para fazer o licenciamento e determinar a medida de recuperação, caso seja encontrado algum desmatamento ilegal. Também estamos buscando o plano municipal da mata atlântica, obrigando os municípios a ter um projeto de preservação do bioma”, informou.

 

Fonte: Ascom SEA/INEA

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