Oficinas na Casa de Cultura de Itaguaí

Com um lápis de cor pode-se traçar um arco-íris ou um mangá (história japonesa em quadrinhos). Os dedos ágeis dão forma a santos ou figuras do folclore nordestino, mas são estes mesmos dedos que acionam o teclado do computador e abre as portas para um mundo novo. Tudo isso e muito mais acontece nas oficinas da Casa de Cultura Marise Moreira de Brito, no Centro de Itaguaí.

Funcionando no antigo prédio da estação ferroviária, as oficinas são gratuitas e abertas à comunidade, com inscrições em fevereiro e julho. Segundo a diretora da unidade, Valéria Teixeira, há uma grande procura pelos cursos.

“Em média são oficinas com duração de seis meses, como o desenho, biscuit e de iniciação a informática, que tem como objetivo ensinar a pessoa que nunca mexeu em um computador como utilizar o equipamento”, explicou Valéria.

Para quem pretende desenvolver seu talento como artista plástico, a Casa de Cultura tem um ateliê de esculturas em barro.

“Diferente das demais oficinas, o espaço funciona mais como ateliê, onde temos alunos que frequentam o local há vários anos”, comentou Fátima Castro, assessora de Patrimônio Histórico.

Pai e filho unidos pelo desenho

Na sala da oficina de desenho do professor José Otávio Lima Júnior, papéis, lápis de cor, revistas e vários modelos de desenhos estão espalhados sobre a mesa. É no meio deste aparente caos que os alunos vão aprendendo a desenvolver a técnica.

Olhos atentos, os alunos seguem os modelos apresentados pelo professor Otávio Lima, que ajuda os mais novos a desenharem.

“Eles seguem o modelo. No entanto, deixo que façam o desenho como a percepção que desejar”, explicou o professor.

Mas não só as crianças que querem aprender a desenhar. Tem gente grande que também aproveita a oficina para realizar o sonho de infância: ser quadrinista, como Evandro Ribeiro, que acompanha o filho Luciano, de 9 anos, nas aulas.

“Meu filho é portador de necessidades especiais e gosta de desenhar, tanto que faz isso no computador. Quando fiquei sabendo da existência desta oficina, conversei com o professor que permitiu que ele participasse. Como tinha que esperar pelo meu filho, decidi me matricular no curso. Agora, estamos fazendo as aulas”, contou Evandro.

Se inicialmente a motivação para a oficina era o de acompanhar o filho, Evandro Ribeiro acabou realizando um antigo sonho: ser quadrinista.

“Desde garoto sonhava fazer histórias em quadrinho, mas não tive a oportunidade. Agora, estou realizando este desejo. Além de estar próximo do meu filho”, disse Evandro.

“A oficina tem duração de seis meses e podem participar crianças a partir dos oito anos. Todos os alunos antes de começarem na oficina de desenho passam por uma avaliação. É importante para saber o tipo de trabalho que será desenvolvido”, explicou Otávio Lima.

Mãos que moldam o barro

Sob os olhos atentos do professor Manoel Ribeiro, os alunos do ateliê de esculturas de argila vão dando formas aos modelos. Dedos, mãos e cinzel criam esculturas de animais, santos e tudo o mais que a criatividade permitir. Afinal, o professor nascido na cidade de Limoeiro, em Pernambuco, aprendeu com o avô a moldar figuras do folclore pernambucano.

“Meu avô fazia as esculturas e foi com ele que aprendi a trabalhar com o barro. Claro que aprendi outras técnicas na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Ufrj), mas os primeiros passos foram dados em Pernambuco”, revelou Manoel Ribeiro.

Ao contrário das demais oficinas, o local funciona no ateliê, ou seja, não há um tempo determinado para os alunos concluírem o curso. Este é o caso da aposentada Maria Hassel, 89 anos, que há quatro anos está no ateliê.

“Comecei aqui por curiosidade e acabei ficando. Já são quatro anos que frequento o local. Venho para o ateliê com prazer. Gosto de fazer as esculturas, sejam de santos ou de bichos. Tudo o que produzo está em casa. Fazer esta oficina é importante para mim. Não pretendo parar nunca”, finalizou Maria.

 

Serviço

Atividades: Oficinas de desenho, biscuit, escultura em argila e iniciação a informática.

Local: Casa de Cultura Marise Moreira de Brito (Rua Ismael Cavalcante, s/nº, centro de Itaguaí).

 

Fonte: Ascom Prefeitura de Itaguaí

Fotos: Rui Okada

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