O potencial econômico do lixo

O Brasil pode estar jogando cerca de R$ 8 bilhões por ano no lixo. Literalmente. É o que três amigos empreendedores pretendem provar a partir de um sonho que os uniu nos últimos dois anos: transformar em lucro a atividade de coleta seletiva – que, até agora, parece vista no país apenas como um instrumento de sustentabilidade, na preservação ambiental. Fernando Gomes (45), Lennon Jesus (33) e Ingrid Fonseca (21) criaram um aplicativo de celular que permite o agendamento da recolha de resíduos recicláveis. E o melhor: garantir benefícios capazes de atrair um número cada vez maior de adeptos de usuários para, de fato, monetizar o negócio.

A proposta é bem simples. Os interessados baixam o aplicativo da Minha Coleta (www.minhacoleta.com) pela loja do Android e se cadastram. Através da ferramenta, escolhem o melhor dia e faixa de horário para a coleta dos resíduos e, ao entregarem, ganham pontos para serem trocados em empresas parceiras da iniciativa – que podem ser de produtos, serviços ou atividades culturais, por exemplo.

Minha Coleta
Fernando Gomes (45), Lennon Jesus (33) e Ingrid Fonseca (21) criaram um aplicativo de celular que permite o agendamento da recolha de resíduos recicláveis

“Muitos países estão faturando alto com a reciclagem, mas só reaproveitamos cerca de 4% de todo o potencial no Brasil. Estamos deixando de ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, de impactar de maneira extremamente positiva a conservação do nosso planeta”, alerta Fernando, responsável pela área financeira.

A intenção do grupo é começar a oferecer o serviço o mais breve possível, começando pela Baixada Fluminense ou por algum bairro da capital, como Campo Grande. E, depois, ampliar a área de atendimento gradativamente. Para isso, os três lançaram uma ação de “crowdfunding” – financiamento coletivo por meio de uma plataforma online. A meta é conquistar até R$ 90 mil de patrocínio para adquirir a infraestrutura essencial elevar o projeto definitivamente para as ruas. Para divulgar a ação, equipe e colaboradores têm se dividido entre as praias do Rio de Janeiro, recolhendo o lixo dos banhistas e apresentando o projeto.

“Nossa equipe de catadores buscará os resíduos recicláveis de moto ou bicicletas, sempre adaptadas com caçambas, para otimizar a logística. Queremos evitar o uso de caminhões justamente para favorecer o ganho ambiental desta iniciativa, já que eles emitem muito CO² na atmosfera”, explica Ingrid,que toca a área administrativa.

Além de garantir o transporte dos catadores de resíduos, o dinheiro arrecadado servirá para ampliar os investimentos tecnológicos da Minha Coleta. Como oferecer o serviço também aos usuários de iPhone, que utilizam o sistema IOS, da Apple. Parte do aporte financeiro também será utilizado para melhorar a logística dos catadores, a partir de um aplicativo específico para eles, interligado com o de usuários da Minha Coleta.

“Podemos começar o atendimento de maneira mais artesanal. Mas precisamos nos preparar para o aumento da demanda, que deve acontecer rapidamente a partir do momento em que a ação se iniciar”, avalia Lennon, responsável por toda a parte tecnológica da Minha Coleta.

A ideia da Minha Coleta surgiu em um concurso de empreendedorismo, promovido pelo Sebrae. Na época, a primeira ideia era outra, mas em cima da hora surgiu o interesse de tratar a questão do descarte de lixo de uma maneira profissional e, em apenas uma semana, o projeto foi criado. A competição não foi vencida, mas a decisão de estudar melhor o plano e executá-lo no futuro ficou.

“Só conseguimos virar referência, no que diz respeito à reciclagem de resíduos, em latinhas de alumínio. Se temos 4% de capacidade explorada, isso significa que existem outros 96% prontos para serem trabalhados. E é mostrar que isso é uma realidade e aproveitar a nossa fatia nesse número que queremos”, frisa Fernando, que descobriu, durante suas pesquisas para a Minha Coleta, que já há países no globo terrestre comprando resíduos descartados por outras nações porque já exploram ao máximo os seus próprios. “Isso só comprova o potencial econômico da nossa ideia”, defende.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa

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