Moda inclusiva está em alta

Vivemos em uma ditadura onde padrões de corpo e beleza são obrigatórios quando o assunto é a moda. Para quebrar esses tabus, a estilista carioca, Priscila Pimenta, lançou uma coleção voltada para pessoas de baixa estatura.

O nanismo é uma deficiência onde os indivíduos afetados, atinge uma altura máxima de até 1.40m, dependendo do tipo, já que são mais de 400. Uma das maiores dificuldades é onde encontrar roupas sem ter que mandar ajustar depois da compra. Blusas e calças são os maiores desafios para quem tem baixa estatura, já que os membros superiores e inferiores são mais curtos e maiores afetados pela deficiência.

Além de estilista (formada em moda), Priscila também é maquiadora e cabeleireira. Sempre antenada no que é tendência, não conseguiu se adaptar aos rígidos padrões desse “cruel” universo, foi assim que a modista decidiu ir contra a maré e se jogar de cabeça e coração na moda inclusiva. “A ideia surgiu através de um projeto para o trabalho de conclusão de curso. O objetivo era solucionar um problema que eu não aceitava na minha profissão, a exclusão. Como nunca me enquadrei nos parâmetros que a moda estabelece para criar tendências, comecei a pesquisar sobre roupas adaptadas. Foi através de uma amiga, que conheci a Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro – ANAERJ, e me fez pensar como mulheres com nanismo faziam para se vestir, uma vez que a indústria da moda não dava devida importância à baixa estatura“, afirmou a especialista.

Segundo Priscila, o nanismo sempre foi uma deficiência pouco falada, quase sem nenhuma informação, um “mundinho” fechado e não tinha nada que falava sobre moda e beleza para essas mulheres. São pessoas que enfrentam preconceito diariamente, e com a autoestima muito baixa. O primeiro passo foi mapear o corpo de uma pessoa com nanismo. Em alguns casos, o tronco é igual à de uma pessoa de tamanho normal, eles costumam usar os padrões da modelagem industrial, ex: 36, 38, 40. As alterações principais são realizadas nos membros e na cintura por conta da lordose. Para promover a verdadeira inclusão, a estilista fez uma coleção, tanto para uma mulher com nanismo quanto para uma de estatura normal. “O grande pensamento nessas adaptações foi pensar nas dificuldades que elas encontravam quando buscavam uma roupa para comprar“, destacou.

A estilista participou do desfile inclusivo do 2º Congresso Nacional de Nanismo, realizado no mês de outubro, no Rio de Janeiro. Foram apresentadas peças pensadas para a primavera e verão, com roupas casuais e formais, com tecidos leves e coloridos, e que não atrapalhassem na questão de mobilidade, já que muitos têm problemas físicos que precisam de aparelhos e/ou cadeiras de rodas para locomoção. “Quando criei essa coleção, o objetivo era agregar para vender em magazines pensando na acessibilidade, facilidade de pagamento e inclusão das peças em um ambiente popular, onde todas as classes teriam acesso, assim como o Plus Size, já é uma realidade e se tornou um sucesso, tenho certeza que a moda pode ser ainda mais inclusiva”, afirmou.

A profissional conseguiu apresentar os projetos em algumas magazines importantes, mas sem retorno. “Todo mundo adorou, mas senti o receio da parte da indústria. Afinal, o que foge do padrão estabelecido nesse universo não tem tanto interesse pelo mundo moda”, frisou.

Lembrando, que as roupas da estilista foram moldadas em uma pessoa com acondroplasia, que é o tipo de nanismo mais comum, podendo as roupas, serem ajustadas em outros biotipos. O importante é o mundo e a sociedade se adequar para atender a todos.

 

Fonte: Assessoria de imprensa

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