O perigo da paixão para o empreendedor

Ninguém duvida da força e do perigo de uma paixão. Mas, engana-se, quem pensa que esse sentimento abala e cria situações embaraçosas na vida particular das pessoas. No universo do empreendedorismo a paixão também pode ser um fator de perigo. Então, a paixão dos empreendedores é força ou fraqueza?

Ricardo SeperueloO consultor empresarial e autor do livro A arte de engajar pessoa, Ricardo Seperuelo, observa diariamente empreendedores presos às suas obras e esquecendo dos negócios. “Esse é um caminho natural, pois é fácil ficar passional quando se fala do próprio negócio, pois o empreendimento se parece com um filho que criamos e não admitimos que critiquem”, opina.

Ricardo Seperuelo diz que esse é um erro muito comum. Para ele, a melhor forma de se desvincular do problema é estabelecer a distribuição dos lucros e o fundo de investimento da empresa. “Apurar o resultado e estabelecer a importância financeira do proprietário e o quanto é de fato do negócio, são os primeiros passos para se estabelecer uma relação mais profissional e menos passional”, afirma.

Seperuelo comenta que desenvolver pesquisas que mostrem se o que desenhou para o seu negócio tem valor no mercado é fundamental, porque é muito claro que alguns empreendedores não conseguem estabelecer análises de produtos de forma pragmática.

“Conheço uma empresária que era apaixonada pelo seu projeto pedagógico e vivia perdendo alunos para a concorrência. Ela ficava muito frustrada por não conseguir reter seus alunos. A minha pergunta foi: o quanto ela estava desenvolvendo um projeto pedagógico para os seus filhos e não para os seus alunos?”, Alfineta Seperuelo.

Outro caso que o consultor apresenta como falha é o empresário que consegue ver a concorrência ganhando os seus clientes por terem preços mais atrativos, mas não aceitam baixar os preços, acreditando que possui uma estrutura maior e melhor que a da concorrência, mas este argumento, segundo Seperuelo, não é visto da mesma forma pelos clientes.

Segundo o consultor, estar presos a verdades relacionadas à paixão pode ser um grande perigo na jornada empreendedora. “É que esse posicionamento acaba deixando oportunidades passarem”, avalia.

Outra história interessante é de um empresário que chegou a ter, há 15 anos, sete unidades em operação com cerca de 15 mil clientes na base. Ele recebeu uma proposta de compra e não aceitou vender o negócio dele. Hoje, no auge dos seus 90 anos, vive a agonia de observar o seu negócio definhar com um pouco mais de 3 mil clientes na base e com dificuldade financeira.

“No cenário atual, não surge nenhuma proposta interessante de compra no mercado. Negócio deve ser vendido no auge da trajetória, e não na fase de baixa, mas para isso não podemos deixar o fogo da paixão cegar os olhos da razão dos negócios”, finaliza.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa

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