Clínica da Família fechada e sem energia

Em uma cerimônia pomposa realizada em dezembro de 2015, o então prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), acompanhado do secretário de Governo da sua gestão e candidato derrotado à Prefeitura, Pedro Paulo Carvalho (PMDB), cravaram as digitais em um molde de concreto na inauguração da pedra fundamental da Clínica da Família do Grajaú/Andaraí, na Zona Norte da cidade. Dois anos após, a unidade permanece de portas fechadas, apesar de possuir um cadastro com quase 30 mil usuários aguardando por atendimento.

Clínica da família fechadaPara funcionar, a instituição depende apenas das ligações de energia elétrica que não foram finalizadas. Segundo a Light, há uma dívida da Prefeitura com a empresa que vem impossibilitando o atendimento à gestão municipal. Além disso, há pendências técnicas no padrão de medição no poste de energia instalado pela construtora terceirizada.

Agentes comunitários

Clínica da família fechadaOs membros do movimento comunitário Clinica Sim, Praça Sim, que utilizam um perfil no Facebook  para denunciar o descaso das autoridades com o bairro do Grajaú, frisam que o prazo de entrega das obras, especificado pelo próprio Paes, expirou em agosto de 2016, oito meses depois da “inauguração”. Neste mesmo período, o município contratou vários agentes comunitários de saúde para trabalhar na unidade, localizada na Rua Botucatu, 633.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a população não está desassistida, já que as oito equipes da Estratégia Saúde da Família da unidade estão atuando, de forma temporária, cadastrando moradores, utilizando as instalações do Centro Municipal de Saúde Maria Augusta Estrella, no bairro vizinho de Vila Isabel, e também através de visitas domiciliares feitas pelos agentes comunitários de saúde. Até o momento, 27.600 pessoas preencheram o cadastro, de acordo com a SMS.

Denúncia no MPE

Cerca de 40 mil pessoas residem no entorno da Clínica da Família do Grajaú/Andaraí, que abrange as comunidades Morro do Cruz, Borda do Mato, Andaraí e Jamelão. Por enquanto, a população continua se deslocando para postos de saúde mais distantes.

Uma denúncia feita pelo Clínica Sim Praça Sim foi protocolada junto ao Ministério Público Estadual (MPE) acerca dos atrasos nas intervenções da obra, gerando uma ação de solicitação de justificativas à Prefeitura pela paralisação das obras e cobrança de um prazo de abertura da unidade. Moradores que participaram da reunião do Conselho Distrital de Saúde da Grande Tijuca, em novembro do ano passado, contam que o coordenador da clínica, Carlos Uzeda, garantiu que a instituição dependia apenas da troca do poste de energia para iniciar os atendimentos.

 

As Clínicas da Família são peças-chave da política de Atenção Básica do município, com foco na prevenção e controle de doenças. Em dez meses de governo, Crivella entregou à população três unidades que estavam em construção na transição de seu governo, todas na Zona Oeste: Clínica da Família Rômulo Carlos Teixeira, em Realengo; Clínica da Família João Batista Chagas, em Paciência; e Clínica da Família Maria José Papera de Azevedo, em Santíssimo. Aguardam por inauguração as clínicas da Maré, Grajaú/Andaraí, Curicica e Cidade de Deus.

Jogo de empurra

Na época em que tiveram início as obras na Clínica da Família do Grajaú/Andaraí, a Rio Urbe anunciou a construção de 50 novas unidades, sendo 28 na Zona Oeste, 21 na Zona Norte e uma no Centro, com investimento total de R$ 233,3 milhões. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro, através do Fundo Especial da Casa Legislativa, doou R$ 130 milhões deste montante. As empresas vencedoras das licitações feitas para estas obras foram a Engetécnica Serviços e Construções Ltda, de propriedade da família do deputado estadual André Lazaroni (PMDB), e a M&P Construções e Participações Ltda, encarregada das construções na Zona Norte e Centro. A M&P recebeu R$ 105.269.967,48 pelo contrato com o município.

No caso da Clínica da Família do Grajaú/Andaraí, a construtora deu por finalizada as intervenções no início de 2017, com nove meses de atraso. Em nota ao Portal Viu, a M&P afirmou que as ligações de energia são de responsabilidade exclusiva da contratante. Em relação ao poste, a empreiteira responde: “o mesmo foi devidamente instalado e possui as mesmas especificações que os demais, de todas as Clinicas executadas pela M&P e já inauguradas, referentes ao mesmo contrato”.

Doações de campanha

Em um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) das receitas dos candidatos à Prefeitura do Rio, em 2016, os nomes dos sócios da M&P Construções e Participações aparecem na lista de doadores para campanha eleitoral de Pedro Paulo. Daniel Parga de Souza Baptista e Flavia Parga Tavares Teixeira doaram R$ 50 mil, individualmente, para o candidato de Eduardo Paes ao cargo de prefeito.

A M&P faz parte do Grupo SB4, responsável pela construção da Arena Olímpica de Tênis, um empreendimento da Prefeitura do Rio, para os Jogos Olímpicos de 2016. Outros sócios do grupo empresarial também fizeram doações para a campanha de Pedro Paulo, entre eles o representante da Volume Construções e InRio Incorporações, Paulo Roberto Souza Baptista, no mesmo valor de R$ 50 mil.

 

Fonte: Assessoria de imprensa

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